sexta-feira, 22 de maio de 2009

Síndrome de Angelman

Prevalência

6,5/100.000

Mortalidade/Morbilidade

Não há informação quanto à esperança média de vida, mas esta aparenta ser normal.

Raça

Afecta de igual forma indivíduos de todas as raças e etnias.

Sexo

Afecta de igual modo indivíduos do sexo feminino e masculino.

Gene Afectado

15q11.2-q13

Sintomatologia

  • Atraso severo no desenvolvimento e/ou atraso mental;
  • Atraso severo na fala;
  • Dificuldades no andar e/ou tremor dos membros inferiores;
  • Comportamento invulgar com expressão de felicidade inapropriada que inclui riso frequente, sorriso e excitação;
  • Microcefalia e convulsões são comuns;
  • Atrasos no desenvolvimento passam despercebidos até cerca dos 6 meses; contudo os outros sintomas característicos deste síndrome passam despercebidos até cerca de 1 ano de idade (altura em que o diagnóstico clínico se torna óbvio).

Diagnóstico/Testes

  • Combinação de análises clínicas;
  • Testes genéticos e moleculares;
  • Análise citogenética.

Já foram desenvolvidos critérios consensuais para o diagnóstico desta doença.

  • É um caso característico de imprinting genómico causado pela metilação ou deleção (78% dos casos) de uma parte do cromossoma materno.
  • Menos de 1% dos casos tem um rearranjo cromossomal citogeneticamente visível (translocação ou inversão).
  • A análise da sequência UBE3A detecta mutações em aproximadamente 11% dos indivíduos.
  • Assim, testes moleculares e genéticos (análise da metilação e da sequência UBE3A) identifica alterações em aproximadamente 90% dos indivíduos.
  • Os restantes 10% com fenótipo clássico deste síndrome têm mecanismos genéticos presentmente não identificáveis.
Tratamento

  • Controlo das dificuldades alimentares, prisão de ventre, refluxo gastro-esofágico e estrabismo;
  • Drogas anti-epilépticas para as convulsões;
  • Fisioterapia, terapia ocupacional, terapia da fala com destaque para a comunicação não verbal, incluindo o recurso a auxiliares de comunicação, como cartas com figuras ou quadros, e assinar;
  • Individualização e flexibilidade em relação à escola;
  • Sedativos para evitar que passem toda a noite acordados;
  • Casacos tóraco-lombares e/ou intervenção cirúrgica para a escoliose.
Prevenção de complicações secundárias

As crianças com convulsões correm alguns riscos, pois movimentos anormais podem ser confundidos com convulsões e devido a anomalias no EEG, as anomalias podem persistir mesmo quando as convulsões estão controladas. Agentes sedativos como fenotiazinas podem causar efeitos secundários negativos.

Cuidados

Exame clínico anual à escoliose
Avaliação das crianças mais velhas para o risco de obesidade pelo apetite excessivo

Agentes/circunstâncias a evitar

Vigabatrina and tigabina porque aumentam os níveis de GABA no cérebro.

Aconselhamento genético

O síndrome de Angelman é causado pelo imprinting do 15q11.2-q13

O risco para os irmãos de um doente depende do mecanismo genético que contribuiu para a perda daquela região genética:

  • Geralmente, menos de 1% se o problema for uma deleção ou UPD;
  • 50% se for uma ID ou uma mutação do UBE3A.
  • Membros da família da mãe também têm um risco acrescido se a mutação for por ID ou UBE3A. Rearranjos cromossómicos citogeneticamente visíveis podem ser herdados ou de novo. O diagnóstico pré-natal para gravidezes de risco elevado é possível quando o mecanismo genético subjacente é uma deleção, UPD, ID, uma mutação do UBE3A ou um rearranjo cromossómico.

Diagnóstico clínico

Os recém-nascidos costumam apresentar um fenótipo normal;
Atrasos no desenvolvimento costumam ser notados por volta dos 6 meses mas pode demorar muito tempo até que os sintomas indiquem claramente que se trata deste síndrome.

Características normalmente presentes nos indivíduos afectados

  • História pré-natal e de nascimento normal;
  • Perímetro da cabeça normal ao nascimento;
  • Sem defeitos de nascimento;
  • Perfis laboratoriais metabólicos, hematológicos e químicos normais;
  • Cérebro estruturalmente normal no MRI e CT, embora se possa observar atrofia cortical ou desmielinização;
  • Atraso no atingir das metas normais da idade sem perda de capacidades já adquiridas;
  • Evidência de atraso no desenvlvimento entre os 6 e os 12 meses, eventualemente classificada como severa;
  • Atraso na fala, podem ser não-verbais ou ter muito poucas palavras; compreensão da linguagem e comunicações não verbais mais desenvolvidas.
  • Equilíbrio e movimentos não normais, usualmente dificuldade em andar e/ou movimento trémulo das pernas.
  • Comportamentos estranhos, incluindo uma combinação de riso/sorriso frequente; expressão aparente de felicidade; excitação, por vezes acompanhada de movimentos das mãos;
  • Comportamento hipermotor;
  • Pouca capacidade de concentração.

Características presentes em mais de 80% dos indivíduos afectados

  • Atraso ou crescimento desproporcionalmente lento do perímetro craniano, resultando normalmente em microcefalia absoluta ou relativa por volta dos 2 anos;
  • As convulsões normalmente começam antes dos 3 anos;
  • EEG anormal com um padrão característico de ondas de pico lento e grande amplitude.

Características em menos de 80% dos indivíduos afectados

  • Plagiocefalia;
  • Sulco no osso occipital;
  • Macroglossia;
  • Língua entre os incisivos durante a deglutição, fala e repouso;
  • Dificuldade em sugar e deglutir;
  • Problemas alimentares e/ou hipotónus durante a infância;
  • Maxilar inferior maior do que o superior (prognatia);
  • Boca grande com dentes espaçados;
  • Dificuldade em controlar a baba;
  • Movimentos excessivos com a boca;
  • Estrabismo;
  • Pouca pigmentação na pele, cor clara de cabelo e de olhos (comparando com a família) - visto apenas naqueles que apresentam uma deleção;
  • Reflexos hiperactivos da extremidade inferior dos tendões profundos;
  • Braço elevado e flectido, especialmente quando andam;
  • Passadas largas com os pés voltados para dentro;
  • Sensibilidade acrescida para o calor;
  • Ciclos de sono anormais e necessidade de dormir diminuída;
  • Atracção/fascínio pela água e por coisas que façam "barulhinhos" como alguns papeis e plásticos.
  • Comportamentos alimentares anormais;
  • Obesidade (nas crianças mais velhas; mais comum naqueles com uma deleção);
  • Escoliose;
  • Prisão de ventre.

História natural da doença

  • História pré-natal, dsenvolvimento fetal, peso ao nascimento e perímetro craniano ao nascimento geralmente normais;
  • Bebés com síndrome de Angelman podem ter dificuldades em ser amamentados ou em serem alimentados por biberão (devido às dificuldades na deglutição) e podem também apresentar hipotónus;
  • Pode ocorrer refluxo gastroesofágico;
  • O síndrome de Angelman pode ser colocado como umahipótese quando se verifica um atraso em atingir os patamares normais de desenvolvimento dos bebés, hipotónus e atraso na fala;
  • Algumas crianças apresentam um ar de extrema felicidade com gargalhadas e ataques de riso;
  • 50% das crianças desenvolvem microcefalia por volta dos 12 meses;
  • Pode ocorrer estrabismo;
  • Podem ser notadas tremuras perto dos 12 meses, normalmente acompanhadas de reflexos aumentados dos tendões profundos;
  • As convulsões costumam ocorrer entre 1 e 3 anos de idade;
  • As convulsões podem ser muito variadas, e incluem níveis motores elevados e mais baixos;
  • Espasmos infantis são raros;
  • MRI ao cérebro pode mostrar atrofia e desmielinização moderada, mas não há lesões estruturais;
  • A maior parte das crianças com Síndrome de Angelman começa a andar entre os dois anos e meio e os seis, e nessa altura terá um andar estranho, semelhante ao de um robot, com os braços elevados, para a frente e dobrados, actividade hipermotora, riso excessivo, língua aumentada, dificuldade em controlar a saliva dentro da boca, ausência de fala e procura de convivência social.
  • 10% destas crianças não anda;
  • Alterações no sono são comuns, especialmente estando acordados durante a noite e acordando cedo. Segundo os pais, estas crianças têm necessidades diminutas de dormir;
  • Praticamente todas as crianças com Síndrome de Angelman são hiperactivas;
  • Os bebés e as crianças podem apresentar uma actividade incessante de tentativa de pôr as mãos ou brinquedos na boca, experimentando diferentes objectos;
  • Falta de concentração;
  • Alguns comportamentos podem sugerir um problema no espectro autista, embora a convivência social seja geralmente boa e os comportamentos típcos do autismo, como alinhar brinquedos, quase nunca se verifiquem;
  • A utilização correcta de uma ou duas palavras de forma consistente é invulgar;
  • As ferramentas de recepção de linguagem encontram-se muito mais desenvolvidas do que as de expressão de linguagem;
  • A maior parte das crianças mais crescidas com Síndrome de Angelman consegue comunicar apontando e usando gestos e usando a comunicação com quadros de comunicação;
  • Não se verifica um uso eficiente e fluente de linguagem gestual;
  • A puberdade dá-se no período normal e não parece que haja problemas reprodutivos quer em homens quer em mulheres.
  • A fertilidade aparenta ser normal; Lossie e Driscoll (1999) reportaram a transmissão de um Síndrome de Angelman por deleção para um feto pela mãe afectada;
  • Os adultos jovens têm uma boa condição física com excepção das possíveis convulsões;
  • A prisão de ventre é comum;
  • A escoliose fica frequente com o avançar da idade.
  • Não é possível estes adultos terem uma vida independente, mas a maior parte pode viver em casa ou em lares.

Bibliografia: http://www.orpha.net/orphacom/cahiers/docs/GB/Prevalence_of_rare_diseases.pdf

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/bookshelf/br.fcgi?book=gene&part=angelman

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