terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Legionella

  • Bacilo Gram -.
  • Pleomórfico.
  • Aeróbico.
  • Móvel.
  • 2 flagelos.
  • Ubíquo na água doce.
  • Associado a biofilmes.
  • Parasita intracelular de protozoários (amibas).
  • Não fermentador - utiliza o metabolismo dos aminoácidos para obter energia.
  • Catalase +.
  • Não reduz nitrato e não hidroliza ureia.
  • Necessita de ferro e cisteína para o seu metabolismo. Por este motivo não cresce nos meios de cultura habituais. Usa-se um meio de ágar com extracto de levedura e carvão (preto) com suplemento de cisteína e ferro.
  • À lupa apresenta uma "estrutura em vidro moído".
  • Grande amplitude térmica (22-45ºC)
  • Transmissão por via inalatória leva a infecção sistémica no homem com localização predominantemente pulmonar.

Epidemiologia

  • Coloniza ambientes aquáticos e húmidos.
  • Existe desde sempre mas o homem criou bons reservatórios artificiais para seu desenvolvimento: rede predial de águas, torres de arrefecimento de sistemas de climatização, humidificadores, equipamento de terapia respiratória, instalações termais, piscinas, jacuzzis, fontes decorativas...

Factores dos quais depende a infecção

  • Nível de contaminação da água;
  • Virulência da bactéria;
  • Eficácia da transformação e disseminação de aerossóis;
  • Tempo de exposição;
  • Factores de risco do hospedeiro.

Ciclo de vida

  • Bactérias no ciclo replicativo: no interior das amibas. Sem capacidade infecciosa. Coram de azul com coloração de Gimenez.
  • Bactérias que são libertadas para o exterior por vesículas - propriedades infecciosas. Coram de vermelho com coloração de Gimenez.

Para existir infecção as bactérias têm de ser inaladas e libertar-se no organismo. Há quem defenda que também se tem de inalar a amiba.

Ciclo reprodutivo da bactéria no hospedeiro humano

  • Deposição do complemento (nomeadamente C3b) numa porina da membrana externa bacteriana
  • Fixação aos receptores CR3 dos fagócitos mononucleares e consequente endocitose-
  • Sobrevive no interior dos macrófagos pois a fusão com lisossomas é inibida.
  • Prolifera nos fagossomas e produz enzimas proteolíticas que destroem a célula e tecido pulmonar vizinho.
  • As bactérias são destruidas quando ocorre activação dos macrófagos parasitados pelas células T sensibilizadas.
  • Não há transmissão homem-homem.

Factores de virulência

  • Gene mip: infecciosa para os macrófagos.
  • Gene pil E - Peptidase: peptidase com função de aderência.
  • Citotoxinas.
  • Fosfolipases.
  • Metaloproteases.

Factores de risco para o hospedeiro

  • Sexo masculino.
  • >50 anos.
  • DPOC, tabagismo.
  • Diabetes, insuficência renal.
  • Transplantação de órgãos sólidos (cardíacos e renais).
  • Imunossupressão (incluindo corticoterapia).
  • Neoplasias do foro hematológico.
  • SIDA não é um factor de risco.

Clínica

1. Infecções assintomáticas: muito comuns. Apenas reconhecidas por pesquisa serológica de anticorpos contra a bactéria.

2. Infecções sintomáticas: Afectam primariamente os pulmões.

  • Doença dos legionários: período de incubação de 2-10 dias. Quadro sistémico com febre, calafrios, tosse seca não produtiva, cefaleias, hiponatrémia, diarreia, co-infecção por agentes típicos de pneumonia, imagens de cavitação por RX em IC).
  • Febre de Pontiac: infecção bronquica, auolimitada, com período de incubação e algumas horas a 2 dias. Não tem evidências clínicas de pneumonia. Tem poucas repercussões e resolve-se espontâneamente sem antibiótico.

Diagnóstico Laboratorial

  • Identificação complicada da bactéria pois precisa de outro meio de cultura que não a gelose de sangue. Requer BCYE e mesmo assim demora cerca de 10 dias a crescer.
  • Os sintomas clínicos, sinais neurológicos, diarreia, hiponatrémia e ausência de resposta a beta-lactâmicos ajudam a suspeitar de infecção por Legionella. Deve-se alertar o laboratório em caso de suspeita.

Técnicas de laboratório para identificação de Legionella



Tipagem de estirpes: para comparar estirpes isoladas no doente ou na água para investigação epidemiológica.

  • Mabs (Paines de Dresden) - screening: testes muito específicos com anticorpos monoclonais.
  • AFLP (PFGE)
  • SBT (base do EWGLI)

Terapêutica

  • Macrólidos (Azitromicina) - 1ª escolha.
  • Quinolonas (Levofloxacina) - E imunossuprimidos e infecções nosocomiais.

Prevenção

  • Impossível erradicar a fonte de infecção mas pode diminuir-se o risco.
  • Manutenção dos equipamentos produtores de aerossóis;
  • Limpezas e desinfecções periódicas;
  • Aplicação de biocidas e controlo de temperatura;
  • Aplicação de cloro na água: eficaz mas não se aplica devido à possibilidade de causar corrosão nos canos.
  • Casos de surtos hospitalares: doentes com transplante cardíaco não tomam banho de chuveiro e lavam os dentes com água engarrafada.

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