- Bacilo Gram -.
- Pleomórfico.
- Aeróbico.
- Móvel.
- 2 flagelos.
- Ubíquo na água doce.
- Associado a biofilmes.
- Parasita intracelular de protozoários (amibas).
- Não fermentador - utiliza o metabolismo dos aminoácidos para obter energia.
- Catalase +.
- Não reduz nitrato e não hidroliza ureia.
- Necessita de ferro e cisteína para o seu metabolismo. Por este motivo não cresce nos meios de cultura habituais. Usa-se um meio de ágar com extracto de levedura e carvão (preto) com suplemento de cisteína e ferro.
- À lupa apresenta uma "estrutura em vidro moído".
- Grande amplitude térmica (22-45ºC)
- Transmissão por via inalatória leva a infecção sistémica no homem com localização predominantemente pulmonar.
Epidemiologia
- Coloniza ambientes aquáticos e húmidos.
- Existe desde sempre mas o homem criou bons reservatórios artificiais para seu desenvolvimento: rede predial de águas, torres de arrefecimento de sistemas de climatização, humidificadores, equipamento de terapia respiratória, instalações termais, piscinas, jacuzzis, fontes decorativas...
Factores dos quais depende a infecção
- Nível de contaminação da água;
- Virulência da bactéria;
- Eficácia da transformação e disseminação de aerossóis;
- Tempo de exposição;
- Factores de risco do hospedeiro.
Ciclo de vida
- Bactérias no ciclo replicativo: no interior das amibas. Sem capacidade infecciosa. Coram de azul com coloração de Gimenez.
- Bactérias que são libertadas para o exterior por vesículas - propriedades infecciosas. Coram de vermelho com coloração de Gimenez.
Para existir infecção as bactérias têm de ser inaladas e libertar-se no organismo. Há quem defenda que também se tem de inalar a amiba.
Ciclo reprodutivo da bactéria no hospedeiro humano
- Deposição do complemento (nomeadamente C3b) numa porina da membrana externa bacteriana
- Fixação aos receptores CR3 dos fagócitos mononucleares e consequente endocitose-
- Sobrevive no interior dos macrófagos pois a fusão com lisossomas é inibida.
- Prolifera nos fagossomas e produz enzimas proteolíticas que destroem a célula e tecido pulmonar vizinho.
- As bactérias são destruidas quando ocorre activação dos macrófagos parasitados pelas células T sensibilizadas.
- Não há transmissão homem-homem.
Factores de virulência
- Gene mip: infecciosa para os macrófagos.
- Gene pil E - Peptidase: peptidase com função de aderência.
- Citotoxinas.
- Fosfolipases.
- Metaloproteases.
Factores de risco para o hospedeiro
- Sexo masculino.
- >50 anos.
- DPOC, tabagismo.
- Diabetes, insuficência renal.
- Transplantação de órgãos sólidos (cardíacos e renais).
- Imunossupressão (incluindo corticoterapia).
- Neoplasias do foro hematológico.
- SIDA não é um factor de risco.
Clínica
1. Infecções assintomáticas: muito comuns. Apenas reconhecidas por pesquisa serológica de anticorpos contra a bactéria.
2. Infecções sintomáticas: Afectam primariamente os pulmões.
- Doença dos legionários: período de incubação de 2-10 dias. Quadro sistémico com febre, calafrios, tosse seca não produtiva, cefaleias, hiponatrémia, diarreia, co-infecção por agentes típicos de pneumonia, imagens de cavitação por RX em IC).
- Febre de Pontiac: infecção bronquica, auolimitada, com período de incubação e algumas horas a 2 dias. Não tem evidências clínicas de pneumonia. Tem poucas repercussões e resolve-se espontâneamente sem antibiótico.
Diagnóstico Laboratorial
- Identificação complicada da bactéria pois precisa de outro meio de cultura que não a gelose de sangue. Requer BCYE e mesmo assim demora cerca de 10 dias a crescer.
- Os sintomas clínicos, sinais neurológicos, diarreia, hiponatrémia e ausência de resposta a beta-lactâmicos ajudam a suspeitar de infecção por Legionella. Deve-se alertar o laboratório em caso de suspeita.
Técnicas de laboratório para identificação de Legionella

Tipagem de estirpes: para comparar estirpes isoladas no doente ou na água para investigação epidemiológica.
- Mabs (Paines de Dresden) - screening: testes muito específicos com anticorpos monoclonais.
- AFLP (PFGE)
- SBT (base do EWGLI)
Terapêutica
- Macrólidos (Azitromicina) - 1ª escolha.
- Quinolonas (Levofloxacina) - E imunossuprimidos e infecções nosocomiais.
Prevenção
- Impossível erradicar a fonte de infecção mas pode diminuir-se o risco.
- Manutenção dos equipamentos produtores de aerossóis;
- Limpezas e desinfecções periódicas;
- Aplicação de biocidas e controlo de temperatura;
- Aplicação de cloro na água: eficaz mas não se aplica devido à possibilidade de causar corrosão nos canos.
- Casos de surtos hospitalares: doentes com transplante cardíaco não tomam banho de chuveiro e lavam os dentes com água engarrafada.
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